Senegal avalia arbitragem contra a BP e a Woodside sobre contratos de petróleo

As histórias são agrupadas entre idiomas, reescritas num formato editorial fixo e ligadas às fontes originais. Como informamos.

Resumo

  • O governo do Senegal está a rever contratos importantes de petróleo e gás com a BP e a Woodside.
  • Funcionários dizem que a arbitragem internacional é uma opção possível caso as renegociações não avancem.
  • Projetos em destaque incluem o projeto de gás Greater Tortue Ahmeyim (GTA) da BP e o campo de petróleo Sangomar da Woodside.
  • Está em curso uma arbitragem no ICSID relacionada, apresentada pela Woodside por um litígio fiscal de 68 milhões de dólares.

Visão geral

O Senegal está a reavaliar, de forma crítica, os seus contratos de petróleo e gás com empresas internacionais BP e Woodside. O governo declarou publicamente que não exclui a arbitragem internacional caso as negociações não produzam novos termos que considere mais justos. Essa posição coincide com um processo em curso no ICSID apresentado pela Woodside relativo a uma reavaliação fiscal no Senegal.

O que aconteceu

Em 14 de maio de 2026, Khadim Bamba Diagne, um alto funcionário da COS Petrogaz do Senegal, afirmou que o governo está preparado para considerar todas as opções, incluindo arbitragem internacional, enquanto procura renegociar contratos de petróleo e gás com a BP e a Woodside.

O governo iniciou uma auditoria a contratos de minerais, petróleo e gás após a tomada de posse do presidente Bassirou Diomaye Faye em 2024. Um comité especial está a avaliar se os acordos priorizam o interesse nacional do Senegal e se seriam necessárias adaptações.

O governo manifestou preocupações de que os atuais acordos de longo prazo não refletem desenvolvimentos recentes no setor energético e podem beneficiar de forma desproporcionada as empresas estrangeiras. A crítica específica incide sobre impactos ambientais, económicos e sociais, em particular sobre indústrias locais como a pesca.

A postura mais firme surge na sequência do pedido de arbitragem no ICSID apresentado separadamente pela Woodside em junho de 2025 contra o Senegal por uma avaliação fiscal de 68 milhões de dólares ligada ao campo de petróleo Sangomar.

Contexto

O Senegal entrou numa nova fase da produção de petróleo e gás em 2024, começando pelo projeto de petróleo Sangomar, operado pela Woodside, e pelo projeto de gás transnacional Greater Tortue Ahmeyim (GTA), liderado pela BP.

Os aumentos recentes nos preços do petróleo e do gás reforçaram a perspetiva do Senegal de que deve assegurar mais benefícios económicos desses recursos. A administração afirmou a intenção de realinhar a participação estrangeira com objetivos nacionais de desenvolvimento.

O caso em curso da Woodside no ICSID evidencia o aumento das tensões entre o Senegal e o setor petrolífero estrangeiro.

Porque importa

  • A possibilidade de arbitragem sinaliza uma escalada significativa na forma como o Senegal pretende gerir o investimento estrangeiro no seu setor energético.
  • Os litígios em curso, incluindo o caso no ICSID com a Woodside, destacam incertezas jurídicas e financeiras no setor.
  • Qualquer recurso à arbitragem poderia reconfigurar a estrutura dos contratos de grandes projetos de recursos no Senegal, com implicações para investidores internacionais.

Fontes

Artigos relacionados