Tribunal do Cazaquistão autoriza a execução de uma condenação arbitral de US$ 1,4 bilhão contra a Gazprom em favor da Naftogaz

As histórias são agrupadas entre idiomas, reescritas num formato editorial fixo e ligadas às fontes originais. Como informamos.

Resumo

  • O Tribunal da AIFC do Cazaquistão aprovou a execução de uma condenação arbitral de US$ 1,4 bilhão contra a Gazprom.
  • A condenação foi concedida à Naftogaz por um tribunal arbitral suíço por descumprimento de um contrato de trânsito de gás sem cumprimento.
  • O Supremo Tribunal Federal da Suíça havia, anteriormente, mantido a decisão arbitral.
  • Trata-se da primeira execução no exterior da condenação; a Gazprom não havia pago voluntariamente.

Visão geral

Em 21 de maio de 2026, o Tribunal do Centro Financeiro Internacional de Astana, no Cazaquistão, autorizou a execução de uma condenação arbitral internacional de US$ 1,4 bilhão contra a Gazprom, da Rússia, em favor da Naftogaz, da Ucrânia. O caso decorre de uma decisão arbitral suíça sobre um contrato de trânsito de gás de cinco anos não cumprido entre a Gazprom e a Naftogaz, com a execução permitida no território cazaque depois de a Gazprom não ter cumprido a decisão voluntariamente.

O que aconteceu

O Tribunal do Centro Financeiro Internacional de Astana decidiu permitir, no Cazaquistão, a execução de uma decisão arbitral internacional que exige que a Gazprom pague US$ 1,4 bilhão à Naftogaz.

Um tribunal arbitral suíço emitiu originalmente a decisão em junho de 2025 em favor da Naftogaz, após uma disputa sobre um contrato de trânsito de gás de 2019 destinado a enviar gás russo pela Ucrânia até a Europa.

Após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, o fluxo de gás pela Ucrânia diminuiu e a Gazprom fez pagamentos apenas pelos volumes efetivamente entregues, em desacordo com as exigências do contrato. A Naftogaz iniciou arbitragem sobre a violação desse contrato.

A Gazprom contestou a decisão suíça, mas o Supremo Tribunal Federal da Suíça a manteve, determinando que a Gazprom pagasse US$ 1,37 bilhão, incluindo juros e custas legais. O valor teria aumentado ainda mais devido à continuidade dos juros e das despesas.

De acordo com a Naftogaz, o tribunal do Cazaquistão é o primeiro tribunal estrangeiro a autorizar a execução dessa decisão arbitral suíça. No momento da divulgação, a Gazprom não havia se manifestado sobre a decisão.

Contexto

A operação de trânsito de gás entre Ucrânia e Rússia assinada em 2019 exigia que a Gazprom pagasse pela capacidade de trânsito independentemente do volume efetivamente entregue. Com a guerra interrompendo os envios, esse arranjo de pagamento passou a ser motivo de disputa.

A Naftogaz iniciou esforços legais para recuperar a decisão internacionalmente, diante do não cumprimento pela Gazprom, e a execução no Cazaquistão representa um passo inicial desse processo fora da Suíça.

Porque importa

  • Essa decisão permite que a Naftogaz busque ativos da Gazprom no Cazaquistão para quitar a decisão arbitral não paga.
  • O caso mostra tribunais em jurisdições de terceiros permitindo a execução de decisões arbitrais ligadas a grandes contratos internacionais de energia.
  • A decisão pode ter implicações para outros esforços da Naftogaz ou de reclamantes semelhantes para executar decisões arbitrais contra entidades estatais que não cumprem.

Fontes

Artigos relacionados