Peru: processos arbitrais pendentes na CCL e no ICSID e implicações para o próximo governo
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Resumo
- A próxima administração do Peru herdará mais de 325 casos arbitrais ativos na Lima Chamber of Commerce.
- Há também 22 arbitragens de investimento do ICSID em curso contra o Peru - o maior número entre países da América Latina.
- Os litígios se concentram principalmente em contratos públicos, infraestrutura, mineração e concessões.
- Especialistas defendem reformas legais para aumentar a eficiência e evitar escalada para tribunais internacionais.
Visão geral
A próxima administração presidencial do Peru deve enfrentar um grande acervo de casos arbitrais - com mais de 325 disputas ativas na Lima Chamber of Commerce (CCL) e 22 casos de investimento em curso no International Centre for Settlement of Investment Disputes (ICSID). A maior parte desses litígios está ligada a contratações públicas, projetos de infraestrutura e relações de investimento. Especialistas apontam o papel crescente da arbitragem no Peru e pedem mais reformas regulatórias para eficiência e prevenção de conflitos.
O que aconteceu
Entre 2022 e junho de 2026, foram protocolados 2.955 casos arbitrais na CCL, com 321 novos casos registrados no primeiro semestre de 2026. Pelos dados mais recentes, 325 procedimentos envolvendo o Estado peruano permanecem pendentes perante a CCL, especialmente em setores como construção, mineração, saúde, telecomunicações, transporte e serviços jurídicos.
Em paralelo à arbitragem doméstica, o relatório registra 22 arbitragens de investimento em curso contra o Peru no ICSID - cobrindo setores como infraestrutura e concessões públicas - e envolvendo empresas como APM Terminals, Telefónica, Enagás, Cerro Verde, Brookfield e outras.
Especialistas do setor ouvidos indicam que a arbitragem passou a ser o principal mecanismo de solução de disputas do Peru para contratos públicos. As questões recorrentes incluem atrasos de projetos, divergências sobre pagamentos e relatórios de supervisão técnica.
A análise do relatório ressalta a necessidade de equilibrar o controle regulatório com a eficiência da arbitragem, e recomenda que o Estado melhore o cumprimento das decisões arbitrais e considere acordos antecipados, quando viável, para evitar escalada ao nível internacional.
Contexto
A arbitragem ganhou destaque no Peru como o processo preferido para resolver disputas relacionadas a contratações públicas e controvérsias sobre investimentos. A CCL administra arbitragens comerciais decorrentes de disputas contratuais entre entidades públicas e empresas privadas, enquanto o ICSID conduz disputas entre Estado e investidor sob tratados internacionais de investimento.
O relatório destaca que, embora os procedimentos de arbitragem doméstica e internacional possam, às vezes, correr em paralelo para um mesmo investimento, trata-se de mecanismos distintos, regidos por marcos legais separados.
Porque importa
- O volume de procedimentos arbitrais em andamento sugere que o novo governo do Peru precisará dedicar atenção e recursos significativos para defender os interesses do Estado tanto em fóruns domésticos quanto internacionais.
- O alcance e o número de casos abertos podem influenciar a forma como o Estado tratará contratações públicas, relações com investidores e a possibilidade de novas disputas.
- Reformas regulatórias e esforços de acordo antecipado podem ajudar o governo a reduzir custos jurídicos, aumentar a confiança de investidores e evitar novas escaladas para organismos de arbitragem internacional.
