Paralisação do transporte do Projeto de Cobre Vicuña na Argentina aumenta a possibilidade de arbitragem internacional
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Resumo
- A corte da província de La Rioja ordenou uma suspensão de 30 dias do transporte do projeto de cobre Vicuña.
- A suspensão afeta a logística do projeto de US$ 18 bilhões conduzido pela BHP e pela Lundin Mining.
- A disputa sobre licenciamento ambiental pode se estender a uma arbitragem internacional.
- A Vicuña Corp tem base legal para buscar arbitragem internacional no regime de investimentos da Argentina.
Visão geral
Um promotor provincial em La Rioja, Argentina, determinou uma suspensão de 30 dias de todo o transporte ao longo de uma rota usada pelo projeto de cobre Vicuña, de US$ 18 bilhões, liderado pela BHP e pela Lundin Mining. A disputa envolve exigências de licenciamento ambiental e pode evoluir para uma arbitragem internacional, conforme previsto nos incentivos da Argentina para grandes investimentos.
O que aconteceu
Em 16 de abril de 2026, o gabinete do promotor provincial de La Rioja ordenou a suspensão por 30 dias de todo o transporte e circulação pela Rota 506 (estrada Guandacol), uma via crítica de suprimentos para o projeto de cobre Vicuña, operado pelo empreendimento conjunto (joint venture) da Vicuña Corp, da BHP e da Lundin Mining.
A decisão do tribunal se baseou na exigência de um estudo de impacto ambiental (EIS) autônomo para a estrada, em vez de tratar seu uso como parte da avaliação ambiental geral do projeto.
A paralisação do transporte afeta diretamente a logística, os suprimentos e o deslocamento de pessoal do depósito Josemaría, dentro do Distrito de Vicuña, podendo atrasar a primeira etapa de desenvolvimento do projeto.
Em resposta, a Vicuña Corp está preparando medidas judiciais e licenças alternativas para construir uma nova estrada de acesso (Corredor Norte), que contornaria La Rioja para o acesso ao projeto.
O bloqueio em curso reacendeu o debate sobre a participação das províncias em projetos interprovinciais e levou grupos empresariais locais a criticarem a abordagem do projeto para a obtenção local de insumos.
A Vicuña Corp aderiu ao Regime de Incentivo a Grandes Investimentos da Argentina (RIGI, na sigla em inglês), que permite arbitragem internacional em disputas de investimento decorrentes de mudanças em atos administrativos ou judiciais provinciais.
Contexto
O projeto Vicuña busca se tornar um dos principais produtores mundiais de cobre, com investimento superior a US$ 18 bilhões e a meta de alcançar produção plena até 2030.
O programa RIGI da Argentina foi introduzido para proteger grandes investimentos ao oferecer estabilidade jurídica e a opção de investidores recorrerem a arbitragem internacional contra ações adversas das províncias.
O conflito pode afetar a percepção do projeto entre investidores internacionais e a imagem da Argentina voltada a investimentos.
Porque importa
- A suspensão do projeto pode atrasar um dos maiores investimentos de mineração da Argentina e afetar contratos associados e benefícios econômicos locais.
- Se uma arbitragem internacional for acionada, isso testará as novas proteções de investimento da Argentina e poderá repercutir na reputação do país junto a investimentos estrangeiros diretos.
- O cenário evidencia desafios na coordenação entre interesses provinciais e nacionais em grandes projetos de infraestrutura.
