Tribunal de Apelação de Haia nega intervenção de terceiros por investidores após arbitragem brasileira malsucedida contra a Petrobras
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Resumo
- Tribunal holandês recusou intervenção de terceiros por investidores após arbitragem malsucedida no Brasil contra a Petrobras.
- Investidores tentaram ingressar em uma ação coletiva nos Países Baixos liderada pela Stichting Petrobras Compensation Foundation.
- O tribunal considerou que os investidores foram excluídos da classe holandesa por terem participado da arbitragem brasileira, a menos que o tribunal arbitral tenha recusado expressamente sua jurisdição.
- Decisão reafirma limites à dupla reparação em disputas societárias transfronteiriças.
Visão geral
Em 23 de junho de 2026, o Tribunal de Apelação de Haia proferiu decisão em um processo em andamento entre a Stichting Petrobras Compensation Foundation e a Petrobras, tratando de saber se duas entidades de investimento poderiam intervir em uma ação coletiva holandesa após arbitragem malsucedida no Brasil.
O tribunal examinou o pedido de intervenção de investidores na ação coletiva após a conclusão desfavorável de uma arbitragem no contexto de disputas envolvendo a Petrobras.
O que aconteceu
A Stichting Petrobras Compensation Foundation ajuizou uma ação coletiva nos Países Baixos buscando indenização da Petrobras por alegadas violações de lei e dos estatutos da companhia.
Interfund Sicav (Luxembourg) e Fideuram Asset Management Limited (Irlanda), ambas entidades que anteriormente haviam promovido, sem êxito, procedimentos arbitrais no Brasil contra a Petrobras, tentaram ingressar na ação holandesa como terceiros interessados.
Os investidores sustentaram que a exclusão do grupo holandês deixaria suas pretensões sem qualquer apreciação quanto ao mérito, invocando direitos previstos em instrumentos europeus de direitos humanos.
O tribunal de apelação holandês rejeitou o pedido, entendendo que investidores que instauraram, mas perderam, arbitragem sob um acordo arbitral válido não podem posteriormente se juntar à ação coletiva nos Países Baixos, a menos que sua arbitragem tenha sido extinta por falta de jurisdição.
Contexto
Os tribunais holandeses têm se tornado um foro para ações coletivas internacionais de investidores, mesmo quando as empresas não estão estabelecidas ou listadas nos Países Baixos.
Os estatutos da Petrobras contêm uma cláusula de arbitragem que exige que disputas de acionistas sejam resolvidas por arbitragem no Brasil.
Tribunais holandeses anteriormente limitaram a classe representada pela Stichting Petrobras Compensation Foundation a acionistas que não tenham ajuizado arbitragem nem concluído procedimentos judiciais em outro lugar.
A decisão se insere na prática de deferir efeitos e limites decorrentes de acordos contratuais de arbitragem em litígios transfronteiriços.
Porque importa
- A decisão restringe que acionistas busquem múltiplas reparações em jurisdições diferentes após arbitrarem pretensões semelhantes.
- Confirma a prática internacional de respeitar os resultados arbitrais e os acordos contratuais para arbitragem, reforçando a ideia de 'international comity'.
- A decisão orienta litígios e arbitragens transfronteiriços futuros envolvendo companhias de capital aberto sujeitas a múltiplos foros.
